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domingo, 30 de outubro de 2016
7 ANOS DO BLOG!
Em tempo...7 anos do blog...
Anda meio paraaado, meio esquecidinho,
mas vivo!
Quero ver se de agora em diante eu me
anime mais, deixe a preguiça de lado e
alimente esse espaço por quem eu tenho muito carinho.
Parabéns Blog!
NATAL NA EMPRESA
Gente, sou meio doida, mas se tem uma coisa que me
acende o espírito natalino, é a Confraternização de Natal
de empresa.
É uma animação só.
Amigo-oculto, o que fazer para os comes-e-bebes, rever os amigos
que trabalham em outras unidades e obras, jogar conversa fora, tudo
é animadinho!!!
O Natal de 2014 foi uma festa toda organizada pelos funcionários,
e foi muuuito legal.
Por mais festas assim!!













segunda-feira, 16 de maio de 2011
Minha passagem por Heidelberg



"EU PERDI MEU CORAÇÃO EM HEIDELBERG", DIZ A VELHA CANÇÃO. MAS ESSA LETRA É A MAIS PURA TRADUÇÃO DO QUE SE SENTE DEPOIS DE VISITAR ESSA ROMANTÉSIMA CIDADE.
06/05/2000 - Pegamos (eu e minha amiga Leonida)o trem para Heidelberg na estação de Goettingen bem cedo. Um ICE super rápido, e mesmo assim, levamos umas boas 3 horas prá chegar. Alguns brasileiros barulhentos nos corredores, executivos conectando seus laptops às tomadas nos assentos do trem, outros lendo, e assim foi nossa viagem, comendo biscoito alemão, dormindo e papeando. Chegamos e nos deslumbramos... é uma cidade antiga, com seu lindo castelo, mesmo em ruínas, enfeitando a colina, o rio Neckar cortando a cidade, a ponte Karl-Theodor sobre ele, as confeitarias repletas de maravilhas, e muitos, muitos turistas como nós, perambulando por essa romântica cidade.
O ponto alto era a visitação ao castelo de Heidelberg. Subimos + de 300 degraus para chegar lá, e já com a língua de fora, compramos nosso ingresso. E adentramos ao pátio principal. Caramba!!! Eu finalmente estava dentro de um castelo!!! Que sensação única! E numa das cidades mais bonitas e simpáticas da Alemanha. Visitamos as ruínas, com seus portões imensos, e dentro dele, que surpresa: o maior barril de vinho do mundo! Que jóia rara! Mas não deu prá fazer nenhuma "degustaçãozinha" básica, não...
domingo, 27 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
Memórias de Cozinhas
Tenho memórias de muitas cozinhas, tanto da que era na casa onde morei em Blumenau, na infância e juventude, quanto a da minha casa em Pomerode, e claro, das outras das muitas casas que morei depois que saí da casa paterna. Na segunda casa que morei em Salvador, casa de Marinha, a cozinha era grande e arejada, de azulejos brancos e piso de um tom ocre. Era a cozinha da minha nova vida. Onde fazia as mamadeiras e papinhas da Laura, onde deixava cravos espalhados pela pia de inox para espantar as formigas, onde preparei a primeira ceia de Natal distante da minha terra e da familia, onde ostentei com todo orgulho a minha primeira geladeira duplex Brastemp.
Ali uma vez eu cozinhei feijão numa das centenas de infrutíferas tentativas de fazer um feijão bom. Deixei a vasilha com os grãos de feijão de molho em cima da mesa e a Laura foi lá e virou tudo no chão cor de ferrugem. Era tarde da noite, eu deixava o feijão de molho para estar macio no dia seguinte e a guria acordada aprontando todas, um disco do Belchior tocando e eu secando o chão, louca da vida e rindo ao mesmo tempo, porque as crianças às vezes fazem a gente rir nas horas mais insólitas.
Era uma casa de 3 quartos, quase uma de frente pra outra, naquela vila militar. Tinha uma varanda com rede e um coqueiro bem em frente prá dar aquela sombrinha. A janela da minha cozinha era alta, não via a cozinha do vizinho, mas de lá vinham aromas de comidas cariocas, já que ali morava um casal de Niterói. Feijoadas, peixadas, tudo ao som do bom e velho pagode do grupo Fundo de Quintal. Som de saudades prá eles, novidade prá mim, já que catarinenses pouco ouviam pagode no seu dia-a-dia... Enquanto eu cozinhava minhas gororobas destinadas ao lixo, as papinhas da Laura ou lavava as louças da pia, ouvia a vizinha bradar lá do outro lado, da outra casa, que não queria mais morar ali, em Salvador. Queria voltar para o Rio de Janeiro, para perto da família, prá perto da vida que havia deixado de lado para acompanhar a carreira nômade do marido, na época marujo, hoje Sub-Oficial da Marinha. E era tanta mágoa destilada, tanto lamentar pela sorte das crianças, coitadas, que de 2 em 2 anos tinham que trocar de escola, de amigos, de casa, de quarto.. E havia os filhos que tinham naturalidades diversas, pois que nasciam vez em um estado, vez em outro...Nem as belezas da Bahia conseguiam acalmar a dor da minha vizinha por estar ali, num estado estranho para ela (que diria eu...), de pessoas estranhas, de escolas ensinando ainda um alfabeto do tempo do império, um tal de fê-mê-guê, que tanto eu quanto ela não entendíamos...Da minha cozinha ouvia também suas criança correndo no meu quintal, alheias à todo esse "sofrimento" de sua mãe, brincando no pé de jaca, atrás dos saguis que vinham ali pertinho a desfilar o ar de sua graça, já que não existiam cercas ou muros que separavam umas casas das outras. Até hoje não sei se isso era bom ou ruim, só sei que às vezes me incomodavam as algazarras excessivas que faziam. Mas eram crianças...
Sei que amei aquela cozinha que presenciou os primeiros passinhos da Laura, testemunhou meus primeiros passos no rumo que tomei na vida, de onde via todos os dias meu marido chegando do trabalho, dos fins de tarde com panelas fumegando no preparo da janta...cenas de uma família reunida em torno de uma promessa de futuro, que bem poderia ter se consolidado naquela casa, naquela cozinha, junto àquela janela que trazia por vezes, pássaros perdidos, cheiro de jaca, lamentos, som de chuva, os sons do mundo.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Uma justa homenagem à minha cidade e seu povo guerreiro!
Hey Blumenau - RBS TV & Spry Video from spryvideo on Vimeo.
Deu saudades...quanta história vivida por lá, quantas alegrias e dissabores, descobertas e decepções. O conjunto de tudo isso é vida...
Parabéns ao seu povo guerreiro, que sempre lutou contra as adversidades com coragem e abnegação. Essa cidade linda é fruto do trabalho e disciplina desse povo. Dá saudades...
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Veneza, prá sempre no meu coração!

Cheguei à Veneza (essa frase infelizmente não consegue transmitir com fidelidade o impacto que é “se chegar em Veneza”) às 6:00 hs de uma manhã muito chuvosa, o que me fez pensar no fracasso da empreitada de 8:00 hs espremida na cabine de um trem italiano, de Munique, na Alemanha direto à Itália, numa noite cheia de percalços.
Saí da estação de Munique às 11:00 hs da noite, já cansada pelo dia inteiro de andanças na terra da Oktoberfest. Foi magnífico, andar sem eira nem beira por uma Munique cheia de atrações, muito tradicionalista e muito cosmopolita... mas estava exausta. Bem, Munique fica para outro post. A missão agora é tentar explicar “o que é se estar em Veneza”.

Viajei toda a noite numa cabine de um trem não muito confortável, e sempre quando achava que estava pronta prá dormir, vinha um maluco abrir a porta da cabine prá procurar lugar vago, ou o cara do ticket para ver a passagem, ou o pessoal da imigração na fronteira querendo ver Passaporte, e tinha um bêbado que não deixava ninguém no vagão dormir. Foi um caos a noite toda. Tentando novamente dormir, com frio, percebi que estávamos atravessando as montanhas, provavelmente os Alpes italianos. Não dormi mais, precisava ver o que se passava pela janela, pena a máquina fotográfica estar na mala, sob a cama, estava muito sonolenta para pegá-la. Daí quando estava quase amanhecendo, um susto. O trem iria se separar do vagão em que dormíamos para seguir para Verona, e isso em minutos. Céus!! Precisava atravessar dezenas de vagões para não desviar do destino!!!Não queria ir para a cidade de Romeu e Julieta! Queria Veneza! Foi um arrumar de mala, vestir roupa, calçar meia, sapato, corrida por entre passageiros e minutos desesperadores! Mas quem entende italiano prá decifrar a mensagem que por certo correu o trem à noite...?? No fim deu tudo certo, cheguei ao vagão certo toda descabelada, arrastando mala, sem lavar o rosto, sem tomar café, com a adrenalina à mil, mas aliviada.

Prá qualquer um que tenha grana para cobrir freqüentemente um passeio à Europa, Veneza é só mais um lugar do roteiro. Prá mim, simples mortal assalariada, que parcelou a passagem em 10 x, levou 2 malas de roupa velha, R$ 800,00 no bolso prá 20 dias de Europa, dar de cara com a ponte Rialto, principal acesso à Veneza para quem chega de trem, foi uma visão do paraíso, de alguém que encontra o nirvana, o prazer absoluto, uma lembrança que me enche os olhos de lágrima ainda hoje, 10 anos depois. Impacto sem igual. Nem sei como cheguei na Rialto, saltei do trem “daquele jeito meio hippie” mas já em estado de graça, apesar do tempo pesadíssimo e prestes a cair um temporal, acho que fui andando em nuvens. Só parei na estação para fazer o câmbio (trocar Marko por Lira), e ir ao banheiro para me “recuperar” da viagem. Coloquei a mochila nas costas com o essencial para aquele dia e tudo o mais desapareceu: turistas, trens, nuvens pesadas, “só” tinha tudo aquilo pela frente, a eterna Veneza!!! Viajante de “1ª vez em Veneza” não sabe que, logo que se sai do trem, já se tem o pé, os olhos e o coração naquela maravilha toda, ninguém te avisa, te prepara o espírito. É na veia mesmo e com Nitroglicerina pura. Nenhum cartaz com os dizeres “Desembarque e deslumbre-se no choque!” Se o coração agüentar, você é duplamente vencedor. Deu prá sentir o baque??
Parei, respirei fundo, me belisquei para “deixar a moeda cair”, sem saber por onde começar a me deslumbrar primeiro. Deu vontade de dar um grito, desses de comercial psicodélico. Eu estava ali, sonhando um sonho de menina, assistindo o ir e vir frenético dos vaporetos em águas muito verdes do Mar Adriático, e pontes, muitas pontes, palacetes, hotéis maravilhosos, charmosas pizzarias ao largo do Grande Canal, gôndolas com condutores em suas indefectíveis camisetas listradas, estreitas ruas perdidas em labirintos, fabriquetas de cristal de Murano, lojas repletas de máscaras para o famoso Carnaval, e história... Quase podia ouvir os doces acordes do violino de Vivaldi, soando por aquelas infinitas ruelas impregnadas de beleza e mansidão. Ele deve ter sido muito feliz morando por aqui, pensava eu. Arrulhos e revoadas de pombos quebravam o silêncio da paz que eu estava sentindo. Estava feliz como nunca fui até então. A sensação do sonho realizado é boa demais, e o meu, pelo visto, era um sonho em grande estilo.Se algum turista fotografou o ponto onde eu estava, por certo saí na foto dele com a boca aberta, com cara de boba-alegre...
A chuva finalmente caiu, pesada com seus prometidos raios e trovões, desesperando turistas e vendedores em suas barracas de lembranças. Eu, que adoro chuva, cheguei ao êxtase. Me abriguei numa lanchonete, pedi uma fatia de pizza, uma água mineral sentei numa mesinha e fiquei ali, calmamente, observando cada detalhe daquela cidade, me convencendo de que não se tratava de nenhum sonho, de que eu estava realmente em Veneza, em uma de suas lanchonetes, saboreando a vista, uma pizza e a chuva caindo sem dó sobre as calçadas daquele lugar ímpar. Tudo absolutamente perfeito!

Quando finalmente a chuva cessou, o sol voltou tímido, aproveitei para andar e andar, agradecendo aos céus por todo aquele presente. Atravessei todas as pontes, conheci a Piazza de San Marco com sua magnífica catedral e seus milhares de pombos, ladeei o "Gran Canal" e seu grande movimento de barcos e vaporetos, visitei uma loja de cristais onde vi lindas peças sendo fabricadas na hora. Passei pela Ponte dos Suspiros e ela ainda é tão linda e intrigante que os suspiros agora são de quem a vê de fora, não mais dos prisioneiros que outrora por ela passavam e suspiravam na sua última visão da cidade. Os mesmos suspiros que eu dou quando a saudade daquele dia me aperta o coração.
terça-feira, 6 de abril de 2010
A casa da minha "Ôma"- 12 - fim

Hoje, a velha casa não existe mais. A falta do espírito preservador dos meus primos a desmontou e transformou em casa de defumar bacon!!!.... Minha tia e ôma também já nos deixaram. No lugar da casa, hoje está uma casa de madeira sem pintura, cheia de crianças loiras, primos distantes que provavelmente ainda brincam nos pastos onde outrora brincava de “revoar sobre as colinas”, embora acredite, o riacho não tenha mais a mesma pureza. A propriedade continua a mesma, estive por lá há alguns anos, mas a luz elétrica chegou. Provavelmente existam geladeiras, TVs, freezers para preservar as carnes do gado e aves abatidos bem como todos os confortos que o progresso traz. Mas, bem sei que, o que o progresso traz em conforto, leva em magia e inocência.
Oxalá um dia volte a rever o sítio dos Bublitz, e leve minha filha prá correr e “revoar” livremente naquelas colinas, descalça, naqueles pastos sem fim, para subir em árvores, correr atrás dos patos e galinhas, tomar banho no riacho, comer tangerinas até se fartar, envolvida no verde que ainda toma conta do lugar. E se fizer alguma travessura, sei que meu tio Rainold, de onde estiver, vai se lembrar de mim e dar boas gargalhadas.
A casa da minha "Ôma" - 11 - Páscoa
Não lembro de ter passado algum Natal por lá, mas as Páscoas daquele tempo merecem um capítulo especial.
Meses antes, minha querida tia Laura, que era deficiente vocal, confirmava com a minha mãe, do jeito dela, sobre o dia em que chegaríamos para a Páscoa. Elas eram irmãs gêmeas e se entendiam bem. Era o que bastava para ela começar a recolher ovos de ganso para colocar nos ninhos prá mim. Eram ovos grandões, lindos, que ela esvaziava, provavelmente para alguma omelete. Com todo o cuidado, fazia um furinho na extremidade, lavava e secava, depois pintava com tinta extraída de papel crepom colorido. Aí, colocava minúsculas balinhas coloridas ou amendoim açucarado como recheio, fechava com papel de seda e ficava nos esperando, impaciente. Minha mãe aproveitava e levava alguns chocolates no formato de coelho, tudo muito bem escondido de mim, afinal, a festa do coelho era coisa para criança curtir na fantasia mesmo.
Na véspera da Páscoa chegávamos à Raphael. Meu tio Ingo sempre vinha nos encontrar no outro lado do rio, onde tínhamos que atravessar sobre um tronco de árvore, achatado de propósito, para as pessoas andarem sobre ele. Eu morria de medo pois o rio tinha as águas geladas, muitas pedras e a água corria velozmente sob nossos pés, mas, meu tio sempre me levava no colo até a outra margem. Minha mãe vinha logo em seguida. Atravessávamos um caminho por entre um milharal, subíamos uma suave ladeira por entre muitas árvores bem ao lado da casa da ôma e lá estava ela: tia Laura, varrendo o quintal de chão batido, não deixando uma folhinha, um cisco sequer no chão que no fim, mais parecia um piso de assoalho encerado, de tão limpo. Ela sentia um prazer especial naquilo, o fazia como ritual. Penso que era para celebrar a alegria do nosso reencontro, a festa da Páscoa, o espírito da inocência. Assim que nos avistava, largava tudo, secava as mãos no avental e saía correndo ao nosso encontro para ajudar-nos com as bolsas e sacolas, na maior alegria.
Depois dos abraços, adentrávamos a casa, fresquinha de brisa, com o som do tique-taque do relógio, o fogão à lenha fumegante, com sua panela de ferro cheinha de frango borbulhando no molho, e mais batatas doces e arroz. Almoçávamos e como sempre, tinha o papo dos adultos para pôr em dia. Eu deitava num tapete de pele de carneiro, no chão ao lado delas e pegava no sono ali mesmo, embalada pelo mesmo tique-taque daquele relógio antigão, do ranger das dobradiças das janelas e pelas conversas intermináveis. Acordava com minha mãe passando pano no chão, fazendo a limpeza para a Páscoa. À tarde, minha tia Laura arrumava a palha para os ninhos onde o “coelho” poria os ovos e chocolates. Tudo era festa e magia, inteiramente patrocinada pela tia Laura.
Na manhã da Páscoa eu percebia que ela ficava de longe, prá lá e prá cá, só esperando que eu acordasse, mais ansiosa que eu. Como era um tempo bem frio, eu gostava de ficar mais tempo sob aquela coberta de penas gostosa. Mas, ante a ansiedade dela, levantava, sem entender direito o que estava acontecendo. Era quando eu vislumbrava ninhos e mais ninhos de palha pela casa toda e pelo quintal limpo, repletos de ovos coloridos e chocolates. Era a visão do paraíso! Era uma felicidade só!! Minha e da minha tia, me vendo feliz. O coelho não havia se esquecido de mim!!! Ela era tão pura e inocente como uma criança, e a minha alegria era a dela. Esperava-me com uma cestinha na mão, feita de papelão e toda forrada de papel crepom para que eu colocasse os ovos nela o cada ninho encontrado. E eu fazia esse trabalho de pronto, afinal, procurar ninhos com ovos pela casa era uma diversão e tanto. Foram Páscoas inesquecíveis e felizes. Numa dessas ocasiões, ela colocou num dos ninhos, uma galinha de brinquedo, que soltava ovinhos de plástico branco quando a apertávamos. Foi o êxtase!!! Nunca vou esquecer disso. Os únicos brinquedos que eu tinha na vida até ali eram duas bonecas velhas, e receber aquela galinha amarela soltando ovos foi o máximo!!!Era essa...
A casa da minha "Ôma" - 10 - Travessuras
Lembro da minha maior travessura daqueles tempos. A vítima, novamente, foi meu tio Rainold, ou melhor, no final fui eu...
Meu tio cuidava com esmero especial de uma parreira de uvas no seu quintal. Era uma parreira espetacular, com lindos cachos de uvas verdes pendurados, quase uma pintura, um quadro de natureza-morta. Um dia, não sei por que cargas d´água, eu e minha amiga Magrit Braatz resolvemos cortar todos os cachos de uvas dessa parreira, e, escondidas na roça da ôma, ficamos comendo as uvas verdes, bem longe de todos. O detalhe é que as uvas ainda estavam muito verdes, mas comemos alguns cachos mesmo assim. O resto jogamos fora, pois era muita coisa para comer e estavam muito azedas. Quando voltamos, a confusão já estava armada no sítio. Meu tio colerizado, minha mãe e a ôma tentando acalmá-lo, e todos tentando descobrir o malfeitor, o mentor dessa façanha. Minha mãe me interpelou e eu neguei veementemente, por medo. Ela também achou que não tinha sido eu, pois nunca fora de mentir nem de fazer tamanha travessura. Então, estava acima de qualquer suspeita. Mas eis que a noite chegou, com suas estrelas, grilos e vaga-lumes. E eu, muito enjoada, nauseada. Ninguém entendia esse mal-estar (devia ser a consciência pesada). Foi quando minha ôma me colocou na cama e eu não agüentando mais, vomitei. E lá estavam as uvas do meu tio, verdinhas, quase inteiras, no chão do quarto, no meio do vômito. Morri de vergonha perante minha mãe e minha ôma. Tive que confessar à elas o delito e pedir perdão ao meu tio. Ele ficou de mal comigo um tempo, mas depois ele teve que passar outro sufoco comigo. Coitado... Foi no dia em que a máquina de cortar trato virou sobre mim. Todos estavam naquela conversa de fim de tarde de sempre, jantando, mas eu, afoita por ajudar meu tio que não estava no estábulo, fui cortar o trato sozinha para fazer uma surpresa à ele quando chegasse. Não deu outra, no entusiasmo de virar aquela roda imensa, veio tudo por cima de mim. A máquina era grande, mas por sorte, era mecânica, movida manualmente. Foi aquela gritaria, minha e de todo mundo. Mais uma travessura homérica.
Teve o dia em que eu e, novamente minha amiga Magrit, resolvemos capturar todos os sapos do mundo num saco (prá que isso??). Por todos os lados havia sapos-boi dormindo em algum canto. Nos estábulos, sob a casa, entre folhagens, troncos ocos, no pasto, no rancho. Acho que capturamos uns 30 sapos no saco, naquele dia. Consigo sentir hoje, a euforia de pegar cada sapo, era uma gritaria só, mas...muito divertido!!... E como não estávamos satisfeitas apenas em capturá-los, resolvemos soltá-los todos no meio da parentada reunida. Era gente pulando prá todo lado e nós, certamente, levamos aquela “sapecada” de nossas mães. Depois dessa, sosseguei, para alívio do meu tio e de todos.
A casa da minha "Ôma" - 9 - colheitas

Muito se trabalhava nessas terras. O tamanho delas denotava o trabalho que davam. Minha ôma capinava horta, juntava e carregava nas costas fardos e mais fardos de trato para as duas vaquinhas dela, bem longe da casa, na roça. Costumava acompanhá-la por esses caminhos até a roça, era uma picada estreita, ladeada de capim e florzinhas lilases e que ao final tinha uma imensa goiabeira onde gostava de subir e olhar o trabalho da ôma, a cortar mato e formar fardos. Ela costumava fazer um fardo pequeno prá eu carregar, como ela. Sentia-me útil e importante assim. Meus tios tinham muito mais gado prá cuidar, umas oito cabeças de gado e alguns cavalos e grandes plantações às quais eram aradas a cada semeadura, e colhidas em grandes mutirões. Muitas vezes, por diversão infantil, ajudava nessas colheitas. O que mais gostava era de fazer parar os cavalos no meio do serviço de arado. Era só gritar “ÔP!!” que eles paravam automaticamente, era o êxtase!! Meu tio Rainold é que ficava uma fera comigo, pois atrapalhava o andamento dos trabalhos. Aí, lá pelas 9:00 hs da manhã comíamos o Früeschtück (lanche), sob a sombra de pés de tangerina ou das pereiras, em silêncio, admirando toda aquela beleza de terras, agradecendo à Deus pela fartura com simplicidade que abundava naquele lugar.
A casa da minha "Ôma" - 8 - + brincadeiras

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Mais Brincadeiras
Adorava correr nos pastos que rodeavam a propriedade toda, eram terras à perder de vista, colinas sem fim, serras e montanhas, todas terras do meu ôpa Bublitz. Hoje devem estar passando de geração em geração e divididas em milhares de pedaços. Havia muitos pés de tangerinas nesses pastos, e eu, vencendo o medo que tinha (ainda tenho)
dos touros que andavam soltos, pulava as certas e colhia todas as tangerinas que podia. Eram tantas que nem dava trabalho de colher, pendiam no pé com o peso dos cachos.
Gostava muito também de ficar vendo o preparo dos doces de frutas, no galpão em frente à casa. Geralmente eram de tangerina ou laranja, que abundavam no sítio. Eram colhidas as frutas, descascadas, tiradas as sementes e as pelinhas e jogadas num tacho de cobre imenso, misturadas com garapa. A extração da garapa também era feita ali. Pesadas rodas e engrenagens no meio do galpão eram giradas, impulsionadas por duas rezes ou dois cavalos, que andavam em círculo o tempo todo, atados à estribos, para moer a cana que meus tios colocavam entre as rodas. Então, atraídas pelo aroma doce que enchia o ar, apareciam as temidas abelhas. Ah, quanto ferrão levei. O galpão ficava apinhado delas nessa época, todas doidas pelos doces. E só nos picavam se tentássemos nos livrar delas, enxotando ou batendo nelas.
Daí alguém, sempre revesando, ficava mexendo com uma colher de cobre com cabo muito comprido, por dias à fio, até a fruta virar doce. Nem à noite o processo acabava.
Depois, era só saborear com queijo branco e pão de milho, huuummmm...
Era óbvio que levávamos algumas latas para Blumenau, quando íamos embora. Aliás, minha ôma sempre nos enchia de coisas do sítio: voltávamos pra casa com sacolas e mais sacolas pesadas cheias de: ovos embalados um a um em folha seca de milho, doces, queijo, manteiga, frutas, pão de milho, nata, e às vezes até galinhas! Era muito bom, pois a sensação de se estar na casa da ôma permanecia por dias e dias e assim, não sentíamos tantas saudades.
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domingo, 30 de outubro de 2016
7 ANOS DO BLOG!
Em tempo...7 anos do blog...
Anda meio paraaado, meio esquecidinho,
mas vivo!
Quero ver se de agora em diante eu me
anime mais, deixe a preguiça de lado e
alimente esse espaço por quem eu tenho muito carinho.
Parabéns Blog!
NATAL NA EMPRESA
Gente, sou meio doida, mas se tem uma coisa que me
acende o espírito natalino, é a Confraternização de Natal
de empresa.
É uma animação só.
Amigo-oculto, o que fazer para os comes-e-bebes, rever os amigos
que trabalham em outras unidades e obras, jogar conversa fora, tudo
é animadinho!!!
O Natal de 2014 foi uma festa toda organizada pelos funcionários,
e foi muuuito legal.
Por mais festas assim!!













segunda-feira, 16 de maio de 2011
Minha passagem por Heidelberg



"EU PERDI MEU CORAÇÃO EM HEIDELBERG", DIZ A VELHA CANÇÃO. MAS ESSA LETRA É A MAIS PURA TRADUÇÃO DO QUE SE SENTE DEPOIS DE VISITAR ESSA ROMANTÉSIMA CIDADE.
06/05/2000 - Pegamos (eu e minha amiga Leonida)o trem para Heidelberg na estação de Goettingen bem cedo. Um ICE super rápido, e mesmo assim, levamos umas boas 3 horas prá chegar. Alguns brasileiros barulhentos nos corredores, executivos conectando seus laptops às tomadas nos assentos do trem, outros lendo, e assim foi nossa viagem, comendo biscoito alemão, dormindo e papeando. Chegamos e nos deslumbramos... é uma cidade antiga, com seu lindo castelo, mesmo em ruínas, enfeitando a colina, o rio Neckar cortando a cidade, a ponte Karl-Theodor sobre ele, as confeitarias repletas de maravilhas, e muitos, muitos turistas como nós, perambulando por essa romântica cidade.
O ponto alto era a visitação ao castelo de Heidelberg. Subimos + de 300 degraus para chegar lá, e já com a língua de fora, compramos nosso ingresso. E adentramos ao pátio principal. Caramba!!! Eu finalmente estava dentro de um castelo!!! Que sensação única! E numa das cidades mais bonitas e simpáticas da Alemanha. Visitamos as ruínas, com seus portões imensos, e dentro dele, que surpresa: o maior barril de vinho do mundo! Que jóia rara! Mas não deu prá fazer nenhuma "degustaçãozinha" básica, não...
domingo, 27 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
Memórias de Cozinhas
Tenho memórias de muitas cozinhas, tanto da que era na casa onde morei em Blumenau, na infância e juventude, quanto a da minha casa em Pomerode, e claro, das outras das muitas casas que morei depois que saí da casa paterna. Na segunda casa que morei em Salvador, casa de Marinha, a cozinha era grande e arejada, de azulejos brancos e piso de um tom ocre. Era a cozinha da minha nova vida. Onde fazia as mamadeiras e papinhas da Laura, onde deixava cravos espalhados pela pia de inox para espantar as formigas, onde preparei a primeira ceia de Natal distante da minha terra e da familia, onde ostentei com todo orgulho a minha primeira geladeira duplex Brastemp.
Ali uma vez eu cozinhei feijão numa das centenas de infrutíferas tentativas de fazer um feijão bom. Deixei a vasilha com os grãos de feijão de molho em cima da mesa e a Laura foi lá e virou tudo no chão cor de ferrugem. Era tarde da noite, eu deixava o feijão de molho para estar macio no dia seguinte e a guria acordada aprontando todas, um disco do Belchior tocando e eu secando o chão, louca da vida e rindo ao mesmo tempo, porque as crianças às vezes fazem a gente rir nas horas mais insólitas.
Era uma casa de 3 quartos, quase uma de frente pra outra, naquela vila militar. Tinha uma varanda com rede e um coqueiro bem em frente prá dar aquela sombrinha. A janela da minha cozinha era alta, não via a cozinha do vizinho, mas de lá vinham aromas de comidas cariocas, já que ali morava um casal de Niterói. Feijoadas, peixadas, tudo ao som do bom e velho pagode do grupo Fundo de Quintal. Som de saudades prá eles, novidade prá mim, já que catarinenses pouco ouviam pagode no seu dia-a-dia... Enquanto eu cozinhava minhas gororobas destinadas ao lixo, as papinhas da Laura ou lavava as louças da pia, ouvia a vizinha bradar lá do outro lado, da outra casa, que não queria mais morar ali, em Salvador. Queria voltar para o Rio de Janeiro, para perto da família, prá perto da vida que havia deixado de lado para acompanhar a carreira nômade do marido, na época marujo, hoje Sub-Oficial da Marinha. E era tanta mágoa destilada, tanto lamentar pela sorte das crianças, coitadas, que de 2 em 2 anos tinham que trocar de escola, de amigos, de casa, de quarto.. E havia os filhos que tinham naturalidades diversas, pois que nasciam vez em um estado, vez em outro...Nem as belezas da Bahia conseguiam acalmar a dor da minha vizinha por estar ali, num estado estranho para ela (que diria eu...), de pessoas estranhas, de escolas ensinando ainda um alfabeto do tempo do império, um tal de fê-mê-guê, que tanto eu quanto ela não entendíamos...Da minha cozinha ouvia também suas criança correndo no meu quintal, alheias à todo esse "sofrimento" de sua mãe, brincando no pé de jaca, atrás dos saguis que vinham ali pertinho a desfilar o ar de sua graça, já que não existiam cercas ou muros que separavam umas casas das outras. Até hoje não sei se isso era bom ou ruim, só sei que às vezes me incomodavam as algazarras excessivas que faziam. Mas eram crianças...
Sei que amei aquela cozinha que presenciou os primeiros passinhos da Laura, testemunhou meus primeiros passos no rumo que tomei na vida, de onde via todos os dias meu marido chegando do trabalho, dos fins de tarde com panelas fumegando no preparo da janta...cenas de uma família reunida em torno de uma promessa de futuro, que bem poderia ter se consolidado naquela casa, naquela cozinha, junto àquela janela que trazia por vezes, pássaros perdidos, cheiro de jaca, lamentos, som de chuva, os sons do mundo.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Uma justa homenagem à minha cidade e seu povo guerreiro!
Hey Blumenau - RBS TV & Spry Video from spryvideo on Vimeo.
Deu saudades...quanta história vivida por lá, quantas alegrias e dissabores, descobertas e decepções. O conjunto de tudo isso é vida...
Parabéns ao seu povo guerreiro, que sempre lutou contra as adversidades com coragem e abnegação. Essa cidade linda é fruto do trabalho e disciplina desse povo. Dá saudades...
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Veneza, prá sempre no meu coração!

Cheguei à Veneza (essa frase infelizmente não consegue transmitir com fidelidade o impacto que é “se chegar em Veneza”) às 6:00 hs de uma manhã muito chuvosa, o que me fez pensar no fracasso da empreitada de 8:00 hs espremida na cabine de um trem italiano, de Munique, na Alemanha direto à Itália, numa noite cheia de percalços.
Saí da estação de Munique às 11:00 hs da noite, já cansada pelo dia inteiro de andanças na terra da Oktoberfest. Foi magnífico, andar sem eira nem beira por uma Munique cheia de atrações, muito tradicionalista e muito cosmopolita... mas estava exausta. Bem, Munique fica para outro post. A missão agora é tentar explicar “o que é se estar em Veneza”.

Viajei toda a noite numa cabine de um trem não muito confortável, e sempre quando achava que estava pronta prá dormir, vinha um maluco abrir a porta da cabine prá procurar lugar vago, ou o cara do ticket para ver a passagem, ou o pessoal da imigração na fronteira querendo ver Passaporte, e tinha um bêbado que não deixava ninguém no vagão dormir. Foi um caos a noite toda. Tentando novamente dormir, com frio, percebi que estávamos atravessando as montanhas, provavelmente os Alpes italianos. Não dormi mais, precisava ver o que se passava pela janela, pena a máquina fotográfica estar na mala, sob a cama, estava muito sonolenta para pegá-la. Daí quando estava quase amanhecendo, um susto. O trem iria se separar do vagão em que dormíamos para seguir para Verona, e isso em minutos. Céus!! Precisava atravessar dezenas de vagões para não desviar do destino!!!Não queria ir para a cidade de Romeu e Julieta! Queria Veneza! Foi um arrumar de mala, vestir roupa, calçar meia, sapato, corrida por entre passageiros e minutos desesperadores! Mas quem entende italiano prá decifrar a mensagem que por certo correu o trem à noite...?? No fim deu tudo certo, cheguei ao vagão certo toda descabelada, arrastando mala, sem lavar o rosto, sem tomar café, com a adrenalina à mil, mas aliviada.

Prá qualquer um que tenha grana para cobrir freqüentemente um passeio à Europa, Veneza é só mais um lugar do roteiro. Prá mim, simples mortal assalariada, que parcelou a passagem em 10 x, levou 2 malas de roupa velha, R$ 800,00 no bolso prá 20 dias de Europa, dar de cara com a ponte Rialto, principal acesso à Veneza para quem chega de trem, foi uma visão do paraíso, de alguém que encontra o nirvana, o prazer absoluto, uma lembrança que me enche os olhos de lágrima ainda hoje, 10 anos depois. Impacto sem igual. Nem sei como cheguei na Rialto, saltei do trem “daquele jeito meio hippie” mas já em estado de graça, apesar do tempo pesadíssimo e prestes a cair um temporal, acho que fui andando em nuvens. Só parei na estação para fazer o câmbio (trocar Marko por Lira), e ir ao banheiro para me “recuperar” da viagem. Coloquei a mochila nas costas com o essencial para aquele dia e tudo o mais desapareceu: turistas, trens, nuvens pesadas, “só” tinha tudo aquilo pela frente, a eterna Veneza!!! Viajante de “1ª vez em Veneza” não sabe que, logo que se sai do trem, já se tem o pé, os olhos e o coração naquela maravilha toda, ninguém te avisa, te prepara o espírito. É na veia mesmo e com Nitroglicerina pura. Nenhum cartaz com os dizeres “Desembarque e deslumbre-se no choque!” Se o coração agüentar, você é duplamente vencedor. Deu prá sentir o baque??
Parei, respirei fundo, me belisquei para “deixar a moeda cair”, sem saber por onde começar a me deslumbrar primeiro. Deu vontade de dar um grito, desses de comercial psicodélico. Eu estava ali, sonhando um sonho de menina, assistindo o ir e vir frenético dos vaporetos em águas muito verdes do Mar Adriático, e pontes, muitas pontes, palacetes, hotéis maravilhosos, charmosas pizzarias ao largo do Grande Canal, gôndolas com condutores em suas indefectíveis camisetas listradas, estreitas ruas perdidas em labirintos, fabriquetas de cristal de Murano, lojas repletas de máscaras para o famoso Carnaval, e história... Quase podia ouvir os doces acordes do violino de Vivaldi, soando por aquelas infinitas ruelas impregnadas de beleza e mansidão. Ele deve ter sido muito feliz morando por aqui, pensava eu. Arrulhos e revoadas de pombos quebravam o silêncio da paz que eu estava sentindo. Estava feliz como nunca fui até então. A sensação do sonho realizado é boa demais, e o meu, pelo visto, era um sonho em grande estilo.Se algum turista fotografou o ponto onde eu estava, por certo saí na foto dele com a boca aberta, com cara de boba-alegre...
A chuva finalmente caiu, pesada com seus prometidos raios e trovões, desesperando turistas e vendedores em suas barracas de lembranças. Eu, que adoro chuva, cheguei ao êxtase. Me abriguei numa lanchonete, pedi uma fatia de pizza, uma água mineral sentei numa mesinha e fiquei ali, calmamente, observando cada detalhe daquela cidade, me convencendo de que não se tratava de nenhum sonho, de que eu estava realmente em Veneza, em uma de suas lanchonetes, saboreando a vista, uma pizza e a chuva caindo sem dó sobre as calçadas daquele lugar ímpar. Tudo absolutamente perfeito!

Quando finalmente a chuva cessou, o sol voltou tímido, aproveitei para andar e andar, agradecendo aos céus por todo aquele presente. Atravessei todas as pontes, conheci a Piazza de San Marco com sua magnífica catedral e seus milhares de pombos, ladeei o "Gran Canal" e seu grande movimento de barcos e vaporetos, visitei uma loja de cristais onde vi lindas peças sendo fabricadas na hora. Passei pela Ponte dos Suspiros e ela ainda é tão linda e intrigante que os suspiros agora são de quem a vê de fora, não mais dos prisioneiros que outrora por ela passavam e suspiravam na sua última visão da cidade. Os mesmos suspiros que eu dou quando a saudade daquele dia me aperta o coração.
terça-feira, 6 de abril de 2010
A casa da minha "Ôma"- 12 - fim

Hoje, a velha casa não existe mais. A falta do espírito preservador dos meus primos a desmontou e transformou em casa de defumar bacon!!!.... Minha tia e ôma também já nos deixaram. No lugar da casa, hoje está uma casa de madeira sem pintura, cheia de crianças loiras, primos distantes que provavelmente ainda brincam nos pastos onde outrora brincava de “revoar sobre as colinas”, embora acredite, o riacho não tenha mais a mesma pureza. A propriedade continua a mesma, estive por lá há alguns anos, mas a luz elétrica chegou. Provavelmente existam geladeiras, TVs, freezers para preservar as carnes do gado e aves abatidos bem como todos os confortos que o progresso traz. Mas, bem sei que, o que o progresso traz em conforto, leva em magia e inocência.
Oxalá um dia volte a rever o sítio dos Bublitz, e leve minha filha prá correr e “revoar” livremente naquelas colinas, descalça, naqueles pastos sem fim, para subir em árvores, correr atrás dos patos e galinhas, tomar banho no riacho, comer tangerinas até se fartar, envolvida no verde que ainda toma conta do lugar. E se fizer alguma travessura, sei que meu tio Rainold, de onde estiver, vai se lembrar de mim e dar boas gargalhadas.
A casa da minha "Ôma" - 11 - Páscoa
Não lembro de ter passado algum Natal por lá, mas as Páscoas daquele tempo merecem um capítulo especial.
Meses antes, minha querida tia Laura, que era deficiente vocal, confirmava com a minha mãe, do jeito dela, sobre o dia em que chegaríamos para a Páscoa. Elas eram irmãs gêmeas e se entendiam bem. Era o que bastava para ela começar a recolher ovos de ganso para colocar nos ninhos prá mim. Eram ovos grandões, lindos, que ela esvaziava, provavelmente para alguma omelete. Com todo o cuidado, fazia um furinho na extremidade, lavava e secava, depois pintava com tinta extraída de papel crepom colorido. Aí, colocava minúsculas balinhas coloridas ou amendoim açucarado como recheio, fechava com papel de seda e ficava nos esperando, impaciente. Minha mãe aproveitava e levava alguns chocolates no formato de coelho, tudo muito bem escondido de mim, afinal, a festa do coelho era coisa para criança curtir na fantasia mesmo.
Na véspera da Páscoa chegávamos à Raphael. Meu tio Ingo sempre vinha nos encontrar no outro lado do rio, onde tínhamos que atravessar sobre um tronco de árvore, achatado de propósito, para as pessoas andarem sobre ele. Eu morria de medo pois o rio tinha as águas geladas, muitas pedras e a água corria velozmente sob nossos pés, mas, meu tio sempre me levava no colo até a outra margem. Minha mãe vinha logo em seguida. Atravessávamos um caminho por entre um milharal, subíamos uma suave ladeira por entre muitas árvores bem ao lado da casa da ôma e lá estava ela: tia Laura, varrendo o quintal de chão batido, não deixando uma folhinha, um cisco sequer no chão que no fim, mais parecia um piso de assoalho encerado, de tão limpo. Ela sentia um prazer especial naquilo, o fazia como ritual. Penso que era para celebrar a alegria do nosso reencontro, a festa da Páscoa, o espírito da inocência. Assim que nos avistava, largava tudo, secava as mãos no avental e saía correndo ao nosso encontro para ajudar-nos com as bolsas e sacolas, na maior alegria.
Depois dos abraços, adentrávamos a casa, fresquinha de brisa, com o som do tique-taque do relógio, o fogão à lenha fumegante, com sua panela de ferro cheinha de frango borbulhando no molho, e mais batatas doces e arroz. Almoçávamos e como sempre, tinha o papo dos adultos para pôr em dia. Eu deitava num tapete de pele de carneiro, no chão ao lado delas e pegava no sono ali mesmo, embalada pelo mesmo tique-taque daquele relógio antigão, do ranger das dobradiças das janelas e pelas conversas intermináveis. Acordava com minha mãe passando pano no chão, fazendo a limpeza para a Páscoa. À tarde, minha tia Laura arrumava a palha para os ninhos onde o “coelho” poria os ovos e chocolates. Tudo era festa e magia, inteiramente patrocinada pela tia Laura.
Na manhã da Páscoa eu percebia que ela ficava de longe, prá lá e prá cá, só esperando que eu acordasse, mais ansiosa que eu. Como era um tempo bem frio, eu gostava de ficar mais tempo sob aquela coberta de penas gostosa. Mas, ante a ansiedade dela, levantava, sem entender direito o que estava acontecendo. Era quando eu vislumbrava ninhos e mais ninhos de palha pela casa toda e pelo quintal limpo, repletos de ovos coloridos e chocolates. Era a visão do paraíso! Era uma felicidade só!! Minha e da minha tia, me vendo feliz. O coelho não havia se esquecido de mim!!! Ela era tão pura e inocente como uma criança, e a minha alegria era a dela. Esperava-me com uma cestinha na mão, feita de papelão e toda forrada de papel crepom para que eu colocasse os ovos nela o cada ninho encontrado. E eu fazia esse trabalho de pronto, afinal, procurar ninhos com ovos pela casa era uma diversão e tanto. Foram Páscoas inesquecíveis e felizes. Numa dessas ocasiões, ela colocou num dos ninhos, uma galinha de brinquedo, que soltava ovinhos de plástico branco quando a apertávamos. Foi o êxtase!!! Nunca vou esquecer disso. Os únicos brinquedos que eu tinha na vida até ali eram duas bonecas velhas, e receber aquela galinha amarela soltando ovos foi o máximo!!!Era essa...
A casa da minha "Ôma" - 10 - Travessuras
Lembro da minha maior travessura daqueles tempos. A vítima, novamente, foi meu tio Rainold, ou melhor, no final fui eu...
Meu tio cuidava com esmero especial de uma parreira de uvas no seu quintal. Era uma parreira espetacular, com lindos cachos de uvas verdes pendurados, quase uma pintura, um quadro de natureza-morta. Um dia, não sei por que cargas d´água, eu e minha amiga Magrit Braatz resolvemos cortar todos os cachos de uvas dessa parreira, e, escondidas na roça da ôma, ficamos comendo as uvas verdes, bem longe de todos. O detalhe é que as uvas ainda estavam muito verdes, mas comemos alguns cachos mesmo assim. O resto jogamos fora, pois era muita coisa para comer e estavam muito azedas. Quando voltamos, a confusão já estava armada no sítio. Meu tio colerizado, minha mãe e a ôma tentando acalmá-lo, e todos tentando descobrir o malfeitor, o mentor dessa façanha. Minha mãe me interpelou e eu neguei veementemente, por medo. Ela também achou que não tinha sido eu, pois nunca fora de mentir nem de fazer tamanha travessura. Então, estava acima de qualquer suspeita. Mas eis que a noite chegou, com suas estrelas, grilos e vaga-lumes. E eu, muito enjoada, nauseada. Ninguém entendia esse mal-estar (devia ser a consciência pesada). Foi quando minha ôma me colocou na cama e eu não agüentando mais, vomitei. E lá estavam as uvas do meu tio, verdinhas, quase inteiras, no chão do quarto, no meio do vômito. Morri de vergonha perante minha mãe e minha ôma. Tive que confessar à elas o delito e pedir perdão ao meu tio. Ele ficou de mal comigo um tempo, mas depois ele teve que passar outro sufoco comigo. Coitado... Foi no dia em que a máquina de cortar trato virou sobre mim. Todos estavam naquela conversa de fim de tarde de sempre, jantando, mas eu, afoita por ajudar meu tio que não estava no estábulo, fui cortar o trato sozinha para fazer uma surpresa à ele quando chegasse. Não deu outra, no entusiasmo de virar aquela roda imensa, veio tudo por cima de mim. A máquina era grande, mas por sorte, era mecânica, movida manualmente. Foi aquela gritaria, minha e de todo mundo. Mais uma travessura homérica.
Teve o dia em que eu e, novamente minha amiga Magrit, resolvemos capturar todos os sapos do mundo num saco (prá que isso??). Por todos os lados havia sapos-boi dormindo em algum canto. Nos estábulos, sob a casa, entre folhagens, troncos ocos, no pasto, no rancho. Acho que capturamos uns 30 sapos no saco, naquele dia. Consigo sentir hoje, a euforia de pegar cada sapo, era uma gritaria só, mas...muito divertido!!... E como não estávamos satisfeitas apenas em capturá-los, resolvemos soltá-los todos no meio da parentada reunida. Era gente pulando prá todo lado e nós, certamente, levamos aquela “sapecada” de nossas mães. Depois dessa, sosseguei, para alívio do meu tio e de todos.
A casa da minha "Ôma" - 9 - colheitas

Muito se trabalhava nessas terras. O tamanho delas denotava o trabalho que davam. Minha ôma capinava horta, juntava e carregava nas costas fardos e mais fardos de trato para as duas vaquinhas dela, bem longe da casa, na roça. Costumava acompanhá-la por esses caminhos até a roça, era uma picada estreita, ladeada de capim e florzinhas lilases e que ao final tinha uma imensa goiabeira onde gostava de subir e olhar o trabalho da ôma, a cortar mato e formar fardos. Ela costumava fazer um fardo pequeno prá eu carregar, como ela. Sentia-me útil e importante assim. Meus tios tinham muito mais gado prá cuidar, umas oito cabeças de gado e alguns cavalos e grandes plantações às quais eram aradas a cada semeadura, e colhidas em grandes mutirões. Muitas vezes, por diversão infantil, ajudava nessas colheitas. O que mais gostava era de fazer parar os cavalos no meio do serviço de arado. Era só gritar “ÔP!!” que eles paravam automaticamente, era o êxtase!! Meu tio Rainold é que ficava uma fera comigo, pois atrapalhava o andamento dos trabalhos. Aí, lá pelas 9:00 hs da manhã comíamos o Früeschtück (lanche), sob a sombra de pés de tangerina ou das pereiras, em silêncio, admirando toda aquela beleza de terras, agradecendo à Deus pela fartura com simplicidade que abundava naquele lugar.
A casa da minha "Ôma" - 8 - + brincadeiras

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Mais Brincadeiras
Adorava correr nos pastos que rodeavam a propriedade toda, eram terras à perder de vista, colinas sem fim, serras e montanhas, todas terras do meu ôpa Bublitz. Hoje devem estar passando de geração em geração e divididas em milhares de pedaços. Havia muitos pés de tangerinas nesses pastos, e eu, vencendo o medo que tinha (ainda tenho)
dos touros que andavam soltos, pulava as certas e colhia todas as tangerinas que podia. Eram tantas que nem dava trabalho de colher, pendiam no pé com o peso dos cachos.
Gostava muito também de ficar vendo o preparo dos doces de frutas, no galpão em frente à casa. Geralmente eram de tangerina ou laranja, que abundavam no sítio. Eram colhidas as frutas, descascadas, tiradas as sementes e as pelinhas e jogadas num tacho de cobre imenso, misturadas com garapa. A extração da garapa também era feita ali. Pesadas rodas e engrenagens no meio do galpão eram giradas, impulsionadas por duas rezes ou dois cavalos, que andavam em círculo o tempo todo, atados à estribos, para moer a cana que meus tios colocavam entre as rodas. Então, atraídas pelo aroma doce que enchia o ar, apareciam as temidas abelhas. Ah, quanto ferrão levei. O galpão ficava apinhado delas nessa época, todas doidas pelos doces. E só nos picavam se tentássemos nos livrar delas, enxotando ou batendo nelas.
Daí alguém, sempre revesando, ficava mexendo com uma colher de cobre com cabo muito comprido, por dias à fio, até a fruta virar doce. Nem à noite o processo acabava.
Depois, era só saborear com queijo branco e pão de milho, huuummmm...
Era óbvio que levávamos algumas latas para Blumenau, quando íamos embora. Aliás, minha ôma sempre nos enchia de coisas do sítio: voltávamos pra casa com sacolas e mais sacolas pesadas cheias de: ovos embalados um a um em folha seca de milho, doces, queijo, manteiga, frutas, pão de milho, nata, e às vezes até galinhas! Era muito bom, pois a sensação de se estar na casa da ôma permanecia por dias e dias e assim, não sentíamos tantas saudades.
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